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London Eye ou como foi originalmente chamada Millennium Wheel já está à beira do Rio Tâmisa há 14 anos.

A vista de Londres do alto da London Eye é simplesmente fantástica!

London EyeLembro como se fosse ontem a primeira vez que estive aqui. Sempre que posso, faço questão de fazer este passeio. Lá de cima a cidade assume outra perpsectiva. Dependendo do dia, é quase impossível comprar um ingresso direto na bilheteria como já aconteceu comigo outras vezes. Dessa vez nada melhor do que ter usado a Internet pra comprar com antecedência.
Será que ela está em manutenção embora esteja sinalizado: Em funcionamento? Não tem fila nenhuma. Deixe-me seguir em frente. Apenas os seguranças e o fiscal que recolhe o ticket. É… parece que está funcionando normalmente, talvez todo mundo já tenha entrado e sou o último.

Pronto! Entrei. Puxa, pela 1ª vez uma cabine quase exclusivamente para mim! Tem apenas mais uma pessoa. Vai ficar fácil ver toda a paisagem sem ninguém na frente e sem barulho, legal! Opa, já começou a subir. É sempre uma breve terapia poder ver as pessoas caminhando de um lugar ao outro, os taxis pretos em modelos de carros antigos e os famosos onibus vermelhos de dois andares que se destacam na paisagem. É assim todos os dias. Milhares de pessoas. De onde veem? Para onde vão? Que alegrias e que conflitos vivem? E daqui a pouco voltarei a estar ali na correria do dia-a-dia ao passo que outras pessoas farão uma pausa em suas rotinas e aqui estarão a observar a paisagem e a multidão; de observador passarei a observado. É parecido a observar as águas que correm num rio. Ele é formado por gotas individuais, porém todas juntas parecem uma só massa, um rio. Algumas gotas acabam se sobressaindo quando batem numa pedra e sobem alto; se for um dia ensolarado refletem os raios do sol brilhando como se fossem pequenas jóias, mas por pouco tempo. Caem de volta no rio e desaparecem. A história da humanidade tem sido assim. Alguns poucos se destacam da multidão, saltam do ‘rio’ e brilham, mas por pouco tempo e logo voltam para a ‘correnteza’.

– Seu nome é Alexandre?
Sou interrompido em minhas meditações por esta pergunta. Vem daquele outro único passageiro que já estava aqui quando entrei.

– Sim. Como sabe meu nome?

– Na verdade não sabia. Apenas deduzi, pois há um envelope naquele assento endereçado a “Alexandre – Project Auferstehung” e certamente não é para mim.

– Envelope? Onde? Ah, estou vendo. Sim, é para mim. Reconheço não só porque tem meu nome, mas pelo projeto mencionado. Deixe-me ver o que diz.

“Today you have the London Eye exclusively for you and your guest. A little bit differently from last time: there isn’t a 30 minutes period. It can take from some minutes to an hour. Thus enjoy your conversation and coffee. Project –codename Auferstehung.”

– Como imaginei é para mim. O que pensava ser uma jogada inteligente de marketing parece ser um pouco mais complexo. Ainda não entendo o que está acontecendo…
[Pare entender melhor veja detalhes no primeiro episódio]

– O que está acontecendo? Como assim?

– Hummmm…acho que você entenderia menos ainda. A propósito, qual seu nome? E acho que vou sentar porque receio que a resposta seja surpreendente como da última vez.

– Carl Gustav Jung.

Durante a viagem entre Londres e Paris via Eurostar conversei com alguém que se dizia ser Voltaire. Até agora não foi possível entender o que foi aquilo. Agora esse sujeito diz ser Jung, o famoso psquiatra suíço e fundador da psicologia analítica! Vamos a mais uma conversa surreal.

– Jung, o famoso psiquiatra suiço?

– Existe algum outro com o mesmo nome aqui no século 21?

Parece que aqui já detectei uma falha. Se for realmente Jung que morreu em 1961, como sabe que estamos no século 21?

– Tão famoso como o verdadeiro Jung, não. Como sabe que estamos no século 21?

– São décadas dedicadas a observação cuidadosa de tudo ao redor. Dentro e fora do que os olhos alcançam. Um profissional em minha área que não está atento ao que pode ver ao redor, como conseguirá ver o que está dentro de seus pacientes? Como descobrirá seus segredos? No envelope endereçado a você havia uma data: 30/12/2012. Os carros que observo daqui de cima, em sua maioria, são modelos que nunca vi. Assim ficou fácil. Este sonho, na verdade, é extremamente perturbador. Por que o século 21, uma super roda-gigante, Londres, rio Tâmisa, um desconhecido com nome de origem grega, projeto Auferstehung?

– Jung posso entender que esteja confuso e ache que está num sonho. Na pressa não notei a data no envelope. Está bem. Vou participar desta estranha brincadeira novamente. Mas por que acha que isso é um sonho?

– Está familiarizado com minha obra?

– Não. Apenas li uma coisa aqui e outra ali, por exemplo, sua biografia e que fundou a psicologia analítica. Ah e que também divergiu fortemente com Freud embora tenham sido amigos.

– Freud? Uma amizade que durou 7 anos. Um número significativo por sinal. A amizade acabou um ano antes da Grande Guerra.

– Jung, por que a amizade acabou? Dois grandes homens. Juntos poderiam ajudar ainda mais pessoas.

– Basicamente três fatores: seu autoritarismo, diferenças teóricas e diferenças filosóficas.

– Para Freud tudo estava relacionado a sexo, correto?

– De modo geral, sim. A ênfase nisso era exagerada. E ele ignorava um fator primordial para entender outro ser humano, o que se torna fator impeditivo para ajudar plenamente um paciente.

– Qual fator?

– Uma das diferenças que tivemos em termos filosóficos: a espiritualidade do ser humano. Aqueles que não a percebem e, portanto não cuidam dela a contento, jamais encontram a verdadeira felicidade. É similar a um indivíduo desnutrido, mas que insiste em alimentar-se apenas com um tipo de alimento até ficar saciado. Satisfação imediata, mas no dia seguinte estará ainda mais faminto, desnutrido e consequentemente mais doente.

– Carl, viu muitos pacientes assim?

– Alexandre, entre as coisas que sempre ensino aos meus alunos ao focarem na atitude consciente da postura atual de um paciente, uma delas é: Não se esqueça de temas espirituais. A maioria dos que começam a análise depois da meia-idade negligenciaram os temas espirituais na primeira metade da vida.

– Interessante ouvir isso. Neste caso você é um psicanalista que acredita em Deus?

– Tudo o que aprendi levou-me, passo a passo, a uma inabalável convicção sobre a existência de Deus. Eu só acredito naquilo que sei. E isso elimina a crença. Portanto, não baseio a Sua existência na crença: Eu sei que Ele existe.

– No início de nossa conversa, você disse que esse sonho de hoje é especialmente perturbador. Por que deduz que estamos num sonho?

– Considero que minha vida intelectual começou com um sonho aos três anos de idade. Nele eu caí num buraco no chão que dava numa sala imensa. Esta sala tinha um trono e sentado nele algo que não compreendia. Muito tempo depois comecei a entender que os símbolos em sonhos ofereciam um excelente caminho para o inconsciente.

– Caminho para o inconsciente? O que é o inconsciente?

– Alexandre, tanto a psicologia analítica quanto a psicanálise presumem a existência do inconsciente, com suas próprias leis e funções. Ele é capaz de afetar e interromper o consciente de modo autônomo. Acredito que exista o inconsciente pessoal e o coletivo, ambos se mantêm numa relação compensatória diante da consciência.

– Consegue ilustrar isso de algum modo?

– Certamente. Tenho uma metáfora preferida para isso. O inconsciente é como o mar. Com sua fluidez, calma e também tempestuosidades, sereias e monstros; ele pode ser uma força tanto criativa quanto destrutiva. Considero que ele seja primordialmente criativo e a serviço do individuo.

– Jung acredito que não estamos num sonho neste exato momento. Embora ainda não compreendi o que está acontecendo, mas esse assunto de inconsciente é oportuno. Além dos símbolos nos sonhos, você usa alguma outra coisa para ver o que está lá no inconsciente de seus pacientes?

– Existem alguns métodos. Desenvolvi um baseado em testes de associação de palavras.

– Como funciona?

– Consiste em ouvir a resposta que um paciente dá com a primeira palavra que lhe vem à mente de um conjunto de palavras especialmente selecionadas que utilizo. Anoto a resposta e as irregularidades no tempo de reação, elas estão ligadas a emoções inconscientes que se agrupam formando um complexo. Distingui diferentes tipos de complexos.

– Não sei quanto tempo nossa conversa vai durar, mas gostaria de fazer este teste.

– Isso seria sem dúvida uma experiência única. Fazer o teste dentro de um sonho com um paciente fictício, mas lamento, não tenho aqui meu cronometro nem papel e caneta para anotar suas respostas bem como o tempo de reação. Gostaria de saber qual a compensação que descobriria neste caso.

– Compensação? O que é isso? E acredite, você não está falando com um paciente fictício.

– Alexandre, o inconsciente assume uma função compensatória em relação ao consciente e age para restaurar qualquer desequilíbrio ou unilateralidade criada pela atitude consciente. Desta forma, conteúdos reprimidos emergem em sonhos, imagens e sintomas porque todo processo que vai longe demais imediata e inevitavelmente clama por compensação.

– Viajei agora Carl. Pode dar um exemplo?

– Antes de dar um exemplo de compensação é importante que entenda isso: a orientação consciente inata de uma pessoa segue um desses quatro tipos: Pensamento, Sentimento, Intuição e Sensação. Pensamento e Sentimentos são considerados racionais porque ambos avaliam a experiência. Sensação e Intuição são irracionais porque não avaliam: dependem de um ato de percepção.

– E que relação tem com o inconsciente e a tal compensação?

– Se minha orientação consciente inata tiver como função superior ou mais diferenciada o Pensamento então pelo princípio de compensação, seu oposto será então inconsciente. Neste caso, seu par que é o Sentimento, será minha função indiferenciada ou inferior.

– Ou seja, se alguém de modo consciente puxa muito mais para a função de Pensamento, isso é sua função superior então o Sentimento será seu oposto em seu inconsciente compensando a função superior.

– Basicamente isso. Vale a pena destacar que estas quatro funções da psique significam de modo simplificado o seguinte: a Sensação diz que algo existe; o Pensamento diz o que é; o Sentimento diz se é bom ou não e a Intuição diz de onde veio ou para onde está indo.

– Isso é superinteressante! E o exemplo?

– Um exemplo clássico é o ‘retorno do reprimido’.

– Retorno do reprimido?

– Deixe-me explicar. Imagine uma menina do tipo Sentimento que pode ter sido forçada a desenvolver características pensantes de uma mãe do tipo Pensamento. Isso irá gerar crise e tristeza num momento posterior da vida. Sentimentos reprimidos retornam como histeria. Sensações reprimidas se manifestam em fobias, compulsões e obsessões.

– Que loucura! Acho que entendi o que é o retorno do reprimido seria algo como um efeito rebote? Por falar em loucura, uma amiga me perguntou certa vez o que eu achava ser a diferença entre o que é considerado normal e loucura. Você chegou a alguma conclusão?

– Sua amiga pode estar se dando conta daquilo que seu inconsciente está tentando trazer a tona. O que posso afirmar é que a saúde mental e física de qualquer indivíduo dependem do desenvolvimento da função negligenciada e de estar consciente dos quatro tipos em funcionamento em si mesmo para alcançar uma personalidade equilibrada.

– Carl ao lidar com tantos pacientes e seus problemas, o que faz para não ficar afetado profundamente? Ao tentar ajudar um amigo aqui e outro ali percebo como é difícil não sofrer junto com eles. Quanto mais complexo o problema, mais envolvidas ficam minha mente e sentimentos.

– Então não sabe que tive um colapso?

– Um psiquiatra, na verdade, um dos pais da psiquiatria teve um colapso?!

– Sim, muitos pensam como você. Eu mesmo pensava assim. Foi em 1913. E cheguei ao fundo do poço em 1914 quando tinha meus 39 anos de idade. Meus amigos e colegas me abandonaram. Larguei meu cargo na universidade. De 1914 a 1919 me retirei do mundo para explorar o meu próprio inconsciente.

– Inacreditável!

– O psiquiatra responde a personalidade doente com a inteireza de sua própria personalidade. Em outras palavras, a psiquiatria é necessariamente subjetiva. Ou seja, ao lidar subjetivamente com um paciente, você se arrisca a descobrir os próprios problemas!

– Deve ter sido uma época terrível. E como saiu dessa? Devem ter pensado que você enlouqueceu.

– Independente do que outros pensavam era eu quem estava no fundo do poço, a viagem era no meu inconsciente e não no daqueles que me observavam. Preocupar-se demais com aquilo que outros pensam ou pensarão a seu respeito é receita certa para o desequilíbrio. Você já olhou para dentro?

– Se já olhei para dentro? Como assim?

– Alexandre sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.

– Jung, nós apenas começamos a conversar e isso está sendo de um valor inestimável. Você nem imagina o quanto. Como foi no seu caso ‘olhar para dentro’?

– No meu caso, ao olhar para dentro, percebi que a diferença entre a maioria dos homens e eu, reside no fato de que em mim as ‘paredes divisórias’ são transparentes. É uma particularidade minha. Nos outros, elas são muitas vezes tão espessas, que lhes impedem a visão; eles pensam, por isso, que não há nada do outro lado. Quem nada vê não tem segurança, não pode
tirar conclusão alguma, ou não confia em suas conclusões.”

– Mas a sociedade em que vivemos espera algo muito diferente disso. Ou não?

– A sociedade espera, e tem razão para esperar, que cada um desempenhe o mais perfeitamente possível o papel que lhe coube; assim, um homem que seja sacerdote deve em todas as ocasiões desempenhar impecavelmente o papel de sacerdote. A sociedade exige-o por uma espécie de segurança: todos devem permanecer no seu posto, aqui um sapateiro, ali um poeta. Não se espera que ninguém seja ambas as coisas porque isso seria “esquisito”. Um homem desses seria “diferente” dos outros, não mereceria confiança. No mundo das letras seria um diletante; em política, uma grandeza “imprevisível”; em religião, um livre pensador. Em suma, seria um suspeito de incompetência e inconstância, pois a sociedade está convencida de que só um sapateiro que não seja poeta poderá fazer sapatos bem acabados.

– Será que é por isso que tantos relutam em fazer mudanças? Porque outros vão achar que pirou totalmente? E por assim agirem acabem precisando fazer análise?

– Alexandre, eu não posso afirmar isso, mas posso repetir a você o que sempre faço questão de ensinar aos meus alunos para que tratem adequadamente um paciente. Chamo meu método de Psicologia Analítica, a prática dela envolvem três coisas que devem ser feitas e outras três que não.

– Carl, quais são as três coisas que devem ser feitas?

– São essas:

1) A análise é um encontro cara a cara e cada caso é único. “Lembre-se de que apenas o médico ferido cura.”

2) Em cirurgia e obstetrícia é regra o médico estar com as mãos limpas. “Então, certifique-se de que você mesmo está ‘limpo’ de neuroses.”

3) Os terapeutas necessitam de uma supervisão continuada, um tipo de “mãe ou pai confessor”. “Até os padres tem confessores.”

– E quais são as outras três que não devem ser feitas?

– Uma vez que o objetivo da terapia é progressivo e não regressivo, o que significa, focar na atitude consciente da postura atual de um paciente, as três coisas que não devem ser feitas são:

1) Não vá atrás de memórias infantis.
Não há nada que os neuróticos gostem mais do que chafurdar nos infortúnios do passado e na autopiedade.

2) Não se esqueça de temas espirituais.

3) Não se esqueça da história secreta pessoal do paciente.
O paciente tem uma história que não está contada e que ninguém conhece. É o seu segredo, a pedra sob a qual ele está esmagado.

– “Cada caso é único”, bem interessante este ponto Carl. Pensando nestes “Faça” e “Não Faça” chego a conclusão que ser um bom terapeuta não é pra qualquer um!

– Aqui no século XXI há muitos terapeutas?

– Posso te dizer Jung que há muitos afirmando que são, mas acho que são poucos que passam pelo ponto de eles mesmos estarem livres de neuroses e que não se esquecem de temas espirituais. Pensando nisso não posso perder a oportunidade de lhe fazer mais algumas perguntas, posso?

– Claro que sim! Esse sonho está cada vez mais intrigante. Deixe-me apenas tomar um pouco deste café…o aroma é delicioso!
Ele afirma com tanta convicção que é um sonho. Quase chego a acreditar que é mesmo, mas dá pra tomar café num sonho e ainda sentir seu aroma? Não sei dizer, mas vou aproveitar para fazer mais perguntas.

– Que café delicioso! Diga-me Alexandre, quais são as perguntas? Não sou o dono da razão, mas será um prazer continuar essa conversa.

– Há alguns dias atrás tomando um café e conversando com Voltaire perguntei-lhe como definiria paixão. Achei a resposta bem interessante e se aproxima muito daquilo que eu também penso.

– Desculpe interrompe-lo Alexandre, mas você tomou café e conversou com Voltaire o escritor, ensaísta e filósofo iluminista?

– Sei que parece loucura Carl, mas tenho quase certeza que era mesmo Voltaire.

– E você o vê e conversa com ele frequentemente?

– Não! Nada disso! Foi uma conversa assim como esta que estamos tendo. Nunca antes havia acontecido. Durou uns 30 minutos e sendo sincero, as vezes, acho que foi apenas um sonho.

– Entendo. Depois que fizer suas perguntas posso comentar um pouco sobre minha própria experiência neste sentido. Sim, você disse que Voltaire deu uma definição interessante sobre paixão. É sobre isso também que gostaria de conversar?

– Em parte sim. Voltaire disse que as ‘paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas….’ E você Carl, o que acha? O que descobriu em suas pesquisas e anos de experiência tratando uma infinidade de pacientes?

– Não vou lhe dar uma definição, mas medite nisso: O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera.

– Carl e existe uma receita ou mapa para se conseguir ‘atravessar esse inferno’?

(Continua no próximo episódio)

Contact me at Writer@Alemarins.com

3 thoughts on “Café Insólito: Jung

  1. Pingback: Café Insólito: Jung (parte 2) | August Alexander

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